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sótão


- por maria alice bragança -


Poderia assobiar sempre que passasses.

Não sei. Não aprendi.

Estão cerzidos, na barra da minha saia,

os temores de minhas bisavós.


Queria sussurrar-te muitas noites de amor.

Não posso. Vela minha voz

o silêncio da espera

na sacada noturna de meus príncipes.


Guarda este baú, vazio, de enxoval,

a menina que repete em seus passos

o andar eterno de todas as mulheres.


Do livro “Cartas que não escrevi”, editora Casa Verde, 2019.

Foto © Malu Baumgarten, 2020

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