• malu

Viva

Hoje dancei no cemitério,

debaixo da neve que caía

e se empilhava sobre meu casaco.

Dancei como uma bruxa louca,

sozinha, e não havia ali viva alma.

De braços abertos recebi o céu

de chumbo, as árvores peladas

implorantes, os flocos grandes

como lírios celestes, o chão macio

de cama de morrentes.

Dancei na neve do cemitério,

como velha enlouquecida, amante

abandonada, como mulher perdida,

rainha destronada, dancei e dancei

sozinha e feliz.

Poema e fotografia ©Malu Baumgarten

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