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vestido


- por ligia savio -



De organdi e de organza

já te vestiram.

De tafetás de outrora

trancelins e fitas

sedas e brocados

também te cobriram.

De musselinas claras

das cambraias mais frescas

te cercaram a vida.

Agora és tu quem perfura

o pano, a tela, o tecido

e ainda tentas colocar

alguma renda

sianinhas

sutaches

e linhas da cor do tempo

na veste que se faz no dia a dia.

Completaste o vestido?

Deste os remates precisos?

Costuraste o possível.

E na túnica de estopa - escolha tua -

estás iluminada à luz da lua.



poema ©Ligia Savio

imagem ©Malu Baumgarten

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Ana Elusa S. Rech
Ana Elusa S. Rech
Mar 01, 2021

Voltei à primeira infância, quando brincava só de calcinha bufante no quintal de nossas casas. À tarde, antes do lanche, banho, e então tecidos engomados, cheios de laços e babados pra sentar na porta da frente e conversar com os meninos. Aqueles mesmos que passamos trepando em árvores. Agora cheirosos e emprumados...

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