o rio do poeta
- malu

- há 2 dias
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malu baumgarten -

O Rio do Poeta serpenteia pelas dunas do Siriú, águas
escuras cingidas por vegetação costeira. Suculentas
brotam da areia fina, a água desce em curvas
generosas, até o mar frio e cristalino.
Depois da pandemia, fui lá com minhas irmãs.
E vieram as enchentes, os incêndios,
a fumaça da Amazônia em brasa.
Era maio, início da temporada da tainha,
o vento forte fechava a Barra do Siriú.
Na praia, seguramos nossos chapéus, arregaçamos
as calças, tentamos vadear o rio, mas o Poeta
estava fundo, cheio de si.
Fomos ao mercado do Silva comprar sonhos.
Na manhã seguinte, o Poeta rompeu a barra,
nem mais Rio nem Poeta, apenas Mar.

poema e fotos de malu baumgarten



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