riomar
- bebê

- há 8 horas
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- por maíra baumgarten -

Rio adentro
Um barco
A vagar
O rio está nas suas mais tenras memórias: a praia da Alegria, onde, menina, brincava na areia. Depois as águas revoltas e gigantescas ondas, sobre as quais, adolescente, conduz o barco, séria e segura do seu destino.
Era, então e sempre, um mar de água escura, um oceano de lembranças e carícias. Gelado ou tépido, mas acolhedor e terno. De muitas formas lembra a mãe: cheio de lições, riscos, amor.
Sua presença é perene também na vida adulta e na velhice que reluta em reconhecer. Em seu mundo interior sempre será menina a percorrer o mar de águas doces, de recordações amáveis, de dias felizes.
Sob o rio repousa o Araguaia, veleiro que corria sobre as águas, conquistou regatas e enfim, naufragou em mar tempestuoso no porto próximo à praia das Pombas.
Quem sabe por que caminhos andará a baleeira reconstruída pelos irmãos em Itapuã. Veloz e silenciosa embarcação, com suas velas enfunadas, a correr por sobre as ondas do riomar em remotas pescarias e acampamentos memoráveis.
A falta do grande lago, das aventuras, descobertas e passeios por suas águas apenas se atenuou quando foi com o pai, já velho, até a lagoa de dentro em Rio Grande e viu seu olhar saudoso sobre as águas da infância.
Rio e barcos. Memória



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